The Crown tem sua temporada mais polêmica com Diana e Thatcher

Relações de Charles com Diana e Thatcher com Elizabeth são destaques

13/11/2020 16h45 (Atualizado em 16/11/2020 11h50)

Por Daniel Reininger

The Crown continua seu reinado como uma das melhores séries da Netflix ao explorar os complexos relacionamentos da família real inglesa. A chegada de Princesa Diana (Emma Corrin) e Margaret Thatcher (Gillian Anderson) deixa a série ainda mais cativante, com grandes atuações e personagens capazes de trazer ainda mais intrigas à trama.

O triste é saber que esta é a última vez que veremos esse elenco em seus respectivos personagens. Felizmente, as duas últimas temporadas provaram que Morgan e sua equipe sabem como lidar com uma reformulação de elenco a fim de retratar a passagem do tempo para os residentes do Palácio de Buckingham.

A quarta temporada, que ocorre do final dos anos 1970 ao final dos anos 1980, é uma das melhores da série até aqui e são poucos os pontos negativos, entretanto, teria sido bom ver a princesa Margaret, vivida por Helena Bonham Carter, ter mais espaço na trama. Ela mandou tão bem na terceira temporada, que fez falta ver sua personagem, atrevida como sempre, ter um papel mais significativo.

Mas é preciso entender que o foco mesmo são Thatcher, Elizabeth II, Diana e Charles nesse novo ano. E, claro, é a ganhadora do Oscar Olivia Colman que domina a série como Elizabeth II, apesar de Charles (Josh O'Connor) e Diana ganharem bastante atenção, a narrativa coloca a Rainha e a situação do Reino Unido em primeiro plano. Além disso, o complicado relacionamento da rainha com a recém-eleita primeira-ministra, Thatcher, é uma das tramas mais interessantes da série como um todo.

Essas duas mulheres formidáveis têm alguns confrontos memoráveis no palácio. Anderson reproduz com eficácia os atributos mais conhecidos de Thatcher, como suas costas arqueadas e sua maneira distinta de falar. Thatcher e Elizabeth não disputam na arena política, mas a competição é óbvia em suas vidas pessoais.

Já a história de Charles e Diana é contada em apenas 10 episódios, mas não parece corrido. É tempo suficiente para desenvolvê-los adequadamente, enquanto também dá espaço a boa parte do elenco em paralelo. É interessante ver como o roteiro chama a atenção para alguns clichês dos contos de fadas românticos, como foco na adorável jovem que se apaixona pelo belo príncipe. Mas há um lado mais sombrio no noivado, que inclui ignorar o amor de Charles por Camilla Parker-Bowles (Emerald Fennell) e como os costumes intrincados e às vezes bizarros da família real afetam Diana.

Outro ponto curioso é que Charles e Camilla não foram retratados como vilões e, em uma abordagem inesperada, mas também bem-vinda, a série destaca os aspectos bons e ruins de Diana, Charles e Camilla como indivíduos, e os coloca na posição de humanos imperfeitos, mas sem apontar culpas ou criar antagonistas.

The Crown também é uma das séries mais belas, do ponto de vista técnico. A qualidade da fotografia, filmagem, cenografia e figurinos é sempre um destaque. A maquiagem que transformou Anderson em Thatcher é incrível e convincente. Os cenários, castelos, vilas, cidades e interiores de palácios são realistas. É fácil ser transportado para essa Inglaterra de reis e rainhas.

A quarta temporada de The Crown vem com atuações incríveis e personagens muito bem escritos. Esses 10 episódios conseguiram contar bem a história da rainha Elizabeth com Margaret Thatcher e explorar o  relacionamento de Charles e Diana de forma eficiente e reveladora. Agora é esperar a próxima temporada, com elenco totalmente reformulado, e torcer para a qualidade continuar a mesma.

The Crown está disponível na Netflix. Veja o trailer:

 

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