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    TIRADENTES 2011: Mostra tenta manter perfil singular após mudanças em Brasília

    Mostra de Tiradentes, conhecida pela discussão em torno do cinema brasileiro, tenta manter força no calendário de festivais
    Por Heitor Augusto, enviado especial a Tiradentes
    21/01/2011

    No término das sessões do Festival de Brasília pairou uma inquietação a respeito da seleção: se Brasília mudou o perfil da curadoria e escolheu produções que geralmente estariam na Mostra de Tiradentes, como ficaria o evento mineiro, conhecido pelos filmes comprometidos com a linguagem cinematográfica?

    A resposta para essa inquietação começa a ser dada nesta sexta-feira (21/1) com o começo da 14ª edição da Mostra de Tiradentes. Nos próximos nove dias, as cerca de 30 mil pessoas que frequentam um dos mais importantes (e gratuito) eventos cinematográficos do país terão um panorama amplo.

    Alguns efeitos da mudança de cara do Festival de Brasília já podem ser sentidas na programação de Tiradentes, especialmente em sua seleção mais observada, a Aurora, dedicada a jovens cineastas. Dos sete longas-metragens escolhidos, Os Residentes e Vigias já foram exibidos (e devidamente debatidos) na capital federal, além de Riscado [foto] ter sido projetado (e premiado) no Festival do Rio.

    Então, Tiradentes perdeu força? Na opinião deste crítico, não. Mas pode ter de repensar seu posicionamento nos próximos anos, já que o festival imediatamente anterior – Brasília –, que já era conhecido pela efervescência política, começou a privilegiar produções com o perfil de Tiradentes.

    Porém, uma característica difícil de encontrar nos cerca de 200 festivais brasileiros é o magnetismo do evento mineiro em concentrar discussões em torno dos filmes e buscar respostas para a produção brasileira contemporânea. Por isso mesmo, deve ganhar um espaço maior a seleção Olhares, que mantém o objetivo de filmes já premiados em outros festivais. Alguns já receberam um olhar crítico, como A Alegria, Leite e Ferro e O Céu Sobre os Ombros, grande vencedor de Brasília com cinco prêmios.

    Por outro lado, será muito interessante a atmosfera em torno de Malu de Bicicleta e Vips, filmes de qualidade, mas com toada mais comercial – no sentido positivo de um termo tão maltratado. Destaque também para o documentário Avenida Brasília Formosa, de Gabriel Mascaro, cineasta que provocou boas discussões ano passado pela dubiedade de seu filme anterior, Um Lugar ao Sol.


    Homenagem a Irandhir Santos e Saraceni

    Se no ano passado Tiradentes propôs uma reflexão sobre a obra do cineasta cearense Karim Aïnouz (O Céu de Suely), neste ano as reflexões começam por um novato e um veterano: o primeiro é Irandhir Santos [foto 2], que em quatro anos de cinema colocou seu nome na lista dos atores a serem observados por conta de trabalhos como Olhos Azuis, Tropa de Elite 2 e Baixio das Bestas.

    Já o segundo, Paulo Cesar Saraceni, está inscrito na cinematografia brasileira desde os anos 60. Seu longa-metragem mais recente, O Gerente, abre a Mostra de Tiradentes. Ambos ganham debates em torno de seus trabalhos.

    Em 2011, o evento mineiro pulou da interrogação norteadora “Paradoxos do Contemporâneo” para “Inquietações Políticas”. O último debate do festival terá este tema como mote e tentará respostas e provocações tomando como base a seleção de Tiradentes deste ano.

    Ao todo, são 134 produções – entre longas e curtas – que tentam pôr em discussão algumas facetas do cinema brasileiro contemporâneo. Tiradentes é um palco particular entre todos os festivais nacionais. Vejamos nos próximos nove dias quais inquietações, essencialmente políticas ou não, surgirão no evento.