Tropa 2 deve colocar Irandhir Santos na boca do povo

09/10/2010 09h38




















Quem acompanha o cinema à margem do mainstream ou se interessa pelas coisas de Pernambuco não enxerga Irandhir Santos como uma cara nova do cinema. Desde 2006, quando ganhou o Candango de Melhor Ator no Festival de Brasília por Baixio das Bestas, o ator formado no teatro entrou com força no cenário cinematográfico.

Com Tropa de Elite 2 – Agora o Inimigo é Outro, Irandhir Santos deve ganhar muito mais visibilidade do grande público, já que interpreta o antagonista de Coronel Nascimento (Wagner Moura). “Não sei ainda como vai ser isso, mas a não visibilidade para mim é muito interessante porque um dos elementos do ator é a observação. Observar sem ser observado é fantástico”, afirma o ator em entrevista ao Cineclick.

Mas vai ser difícil: apenas em 2010, Irandhir apareceu nos cinemas em Olhos Azuis e Quincas Berro D’Água, além de ter frequentado as telas do Festival do Rio com O Senhor do Labirinto. Para uma cinematografia que costuma eleger “o cara” da vez, o ator nascido em Barreiros deve seguir a fila já ocupada por Selton Mello, Matheus Nachtergaele, Lázaro Ramos, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, entre outros. Chegou o momento de Irandhir tornar-se onipresente.

Em Tropa 2, ele interpreta o ativista pelos Direitos Humanos Diogo Fraga, personagem inspirado no militante e deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). “O Fraga tem duas vertentes, a pública e o núcleo familiar. As duas coisas são lado a lado para formar um ser humano mais completo. Não interessava só um ou outro”, explica.

Passados 13 anos da trama de Tropa de Elite, no segundo filme Rosane já se separou do Capitão Nascimento. Pior: casou-se com Fraga, a quem o líder do Bope considera um grande inimigo. “Acho um ato libertador a Rosane ter largado o Nascimento, o cara que as mulheres acham incrível”, explica a atriz Maria Ribeiro. Para ela, no primeiro filme sua personagem aceitava tudo passivamente. “A cena do ‘esporro’ em Tropa de Elite foi talvez a mais difícil da minha vida”.

Assim como Rosane se afeiçoou ao personagem de Irandhir Santos, o agora Coronel Nascimento corre o risco de perder o carinho do filho para o padrasto. Pedro Van-Held, que estreia nos cinemas aos 16 anos, avalia os potenciais do filme para a geração ligada na internet.

“Pensando nos meus amigos, acho poucos deles vão perceber quando Wagner [Moura] confronta o poder oficial, ele está desafiando! Acho que as pessoas da minha idade ficariam mais ligados nos tiros, na ação”, opina.

Para Irandhir, que estreou no teatro há 14 anos com Liberdade, liberdade antes de chegar aos cinemas em 2005 num papel pequeno em Cinema, Aspirinas e Urubus, um papel tem a força de mudar uma pessoa. “Acredito, porque se me transforma, isso se estende também a quem assiste”.


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