True Detective: Ranking das temporadas da aclamada série da HBO

A criação de Nic Pizzolatto é composta por excelentes histórias fechadas

21/06/2020 17h00

Por Alexandre Dias

Em 2014 estreava a primeira temporada de True Detective, uma das séries mais aclamadas da HBO. A criação de Nic Pizzolatto (Sete Homens E Um Destino) é um dos ovos de ouro da emissora, que trouxe diversos elementos já conhecidos das histórias de detetive sob aspectos atuais e bem desenvolvidos. 

Diversos períodos nas tramas, tom pesado, debates sociais e os personagens moralmente questionáveis estabeleceram a identidade única da produção. As três temporadas - cada uma com uma história diferente - trabalham a sua fórmula de formas diferentes e, apesar de alguns deslizes, todas elas são dignas de nota. 

Por isso resolvemos montar o nosso ranking de True Detective para você, espectador, dar a sua opinião sobre o mesmo, ou para você que ainda não assistiu a série se empolgar e correr para vê-la:

 

3 - Segunda temporada

Após o estrondo da primeira temporada, o segundo ano da série da HBO resolveu "inflar" alguns aspectos da primeira, como por exemplo, o núcleo protagonista. No total, a trama possui quatro personagens principais, cada um, obviamente, com a sua devida importância no âmbito geral. Essa é uma faca de dois gumes, pois o elenco consegue dar o peso necessário aos seus respectivos papéis, mas na totalidade da história essa característica é um tanto irregular, pois há momentos em que uns sobram mais do que outros. 

Nesta investigação, um trio de detetives precisa investigar um empresário que aparece morto no meio de uma rodovia. Eles se unem por um acaso na missão: Ray Velcoro (Colin Farrell) é um corrupto que cometeu um crime no passado para vingar a sua ex-esposa; Ani Bezzerides (Rachel McAdams) guarda uma infância problemática e marcada por um trauma; Paul Woodrugh (Taylor Kitsch) é um ex-militar que foi acusado por uma celebridade de um crime que, supostamente, não cometeu. O quarto protagonista é Frank Semyon (Vince Vaughn), uma gângster que colocou os seus negócios na legalidade, mas nunca esqueceu o seu caminho até ali. 

O caso dessa temporada é o menos instigante dos três, pois praticamente não há reviravoltas a serem feitas sobre o crime; aquelas que acontecem parecem um tanto artificiais. Isso sem mencionar que os realizadores tentaram absorver o aspecto de corrupção do sistema para engrandecer a trama, mas o resultado se assemelhou muito à ideia da conclusão da primeira temporada. 

No meio disso, há o trunfo da segunda temporada: a interação entre os personagens. Separados, eles sofrem um bocado, mas juntos o carisma dos atores brilha e é a porta de entrada para o espectador entender os debates morais propostos na história.

 

2 - Terceira temporada

A última temporada lançada da série é a que melhor utiliza a sua linha temporal. A dupla de detetives protagonista, Wayne Hays (Mahershala Ali) e Roland West (Stephen Dorff), é mostrada no início da sua parceria na Crimes Graves, mais maduros quando voltam a se encontrar e depois já idosos e traumatizados com o Caso Purcell. 

Nesta investigação em True Detective, dois irmãos pequenos vão andar de bicicleta e nunca voltam para casa. O roteiro já começa eficaz quando Hays revela que não foi a Guerra do Vietnã, no qual ele esteve presente, que mudou a sua vida, mas sim o Caso Purcell. E de fato, a repercussão daquilo para a pequena cidade onde ocorreu e aos detetives são os fatores mais interessantes desse ano da série. 

Em alguns momentos mais explícita e em outros menos, a trama levanta discussões com naturalidade devido ao seu arco geral, como por exemplo o racismo sofrido por Hays. Ou como combater no Vietnã foi algo que o atingiu para sempre, mesmo que não seja evidente para os outros e até para ele próprio. 

Apesar de ser maçante em determinados pontos, afinal, o espectador sabe o que aconteceu aos personagens pelas três linhas temporais, todos os três períodos da história são bem dosados - tecnicamente também, o figurino e design de produção são os melhores da série. A ótima dinâmica entre Hays e West também contribui com isso e chega a ser, dentro da reflexão densa da trama, descontraída em várias situações. 

 

1 - Primeira temporada

O impacto da estreia da série é muito intenso para não ocupar o primeiro lugar do ranking. A começar pelo caso da trama, que começa com uma morte de fazer qualquer espectador querer desligar a televisão imediatamente. 

No entanto, vale ressaltar que True Detective, em todas as suas temporadas, não tem o objetivo de chocar por chocar. Na primeira, o intuito do projeto foi introduzir à crítica às intituições religiosas. Esse é um dos temas mais bem desenvolvidos dessa história. 

O outro é a discussão do machismo. A dupla de detetives é formada por Rust Cohle (Matthew McConaughey) e Marty Hart (Woody Harrelson), ambos também produtores executivos da série. Marty é um homem que se julga como de bom coração, mas diminui todas as mulheres presentes na sua vida, seja a esposa, as filhas ou a amante. Já Cohle - em uma das melhores atuações da carreira de McConaughey, diga-se de passagem - não é, em teoria, o amigo certo para ele, pois é completamente desiludido pelas perdas que sofreu. 

A dinâmica dos dois não só funciona, como também é uma indagação constante preparada para o espectador de realidade vs. a ilusão de valores tradicionais. Portanto, o fato deles não serem amigos como Hays e West, por exemplo, é proposital e necessário. 

Vale ressaltar também que a linha do tempo é bem explorada até antes de ser focada em um momento só. Quando o interrogatório no presente é exibido em paralelo às investigações do passado, os episódios fluem bem, porém a conclusão nos dias atuais é, de certa maneira, redundante. Ainda assim, não é o suficiente para tirar a força do projeto que, de um jeito ou de outro, perdurou nas duas temporadas seguintes. 

 

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