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    Uma parte da TV brasileira é mais interessante que o cinema, diz Fernando Meirelles

    Apesar de continuar a fazer filmes, diretor quer investir em séries televisivas
    Por Roberto Guerra
    06/07/2013

    O cineasta Fernando Meirelles está em busca de desafios e a TV brasileira é para ele o campo ideal para fugir do engessamento temporal do cinema. A revelação foi feita na manhã desta sábado em Cidade de Goiás, onde se encerra hoje a 15ª edição do FICA – Festival Internacional de Cinema Ambiental. O evento homenageia o diretor de Cidade de Deus com retrospectiva de seus filmes ao longo do dia.

    "A gente está contando histórias de uma hora e meia, duas horas de duração há mais de 110 anos. Minha sensação é de que essa estrutura está praticamente esgotada. Tudo me parece uma repetição. Já estou um pouco cansado", disse o diretor em encontro com o público, que lotou o Cine Teatro São Joaquim para ouvir Meirelles na manhã deste sábado.

    O cineasta acredita que um campo fértil se abriu no mercado televisivo, principalmente depois da aprovação da lei que obriga as TVs a cabo a exibir produções brasileiras em suas grades de programação. As séries têm atraído sua atenção pelo potencial de poder desenvolver melhor enredos e personagens.

    "As séries são muito mais estimulantes pra mim em termos de dramaturgia do que o cinema. [...] Em 10, 13 horas posso ter muito mais núcleos de personagens, cada personagem pode ser muito mais desenvolvido. Posso organizar a história de infinitas maneiras", avalia Meirelles, que tem dois projetos engatilhados para TV.

    Sobre seu novo filme, Nemesis, cinebiografia do armador grego Aristóteles Onassis, o diretor revelou mais um adiamento nas filmagens. O longa, previsto para ser rodado em março deste ano, já havia sido postergado para setembro. A previsão agora é que comece a ser rodado em março de 2014. Segundo Meirelles, o problema está sendo encontrar um ator para o papel principal. "Não consigo achar o ator. E a dificuldade é porque esse filme é sobre o ódio que Onassis sentia pelos Kennedy. Os Kennedy no filme são vistos de uma maneira muito controversa. Porque são vistos pelos olhos do maior inimigo deles", conta.

    Para o diretor Nemesis ganhou uma conotação política equivocada que o está prejudicando. "Os atores americanos estão com certa resistência em entrar no filme porque não querem dar tanta porrada num pilar dos democratas", diz o diretor, que avalia a possibilidade de usar um ator europeu no papel.

    O FICA – Festival Internacional de Cinema Ambiental termina na noite desta sábado com cerimônia de entrega de prêmios seguida de show de encerramento com Arnado Antunes.