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    Varilux 2014: Diretor de Amélie Poulain apresenta novo longa no Rio

    Jean-Pierre Jeunet critica Hollywood e diz que Cidade de Deus é um dos seus filmes favoritos
    Por Roberto Guerra, do Rio de Janeiro
    10/04/2014
    Jean-Pierre Jeunet

    O Festival Varilux de Cinema Francês toma conta nesta quinta-feira (10) de salas de cinema em 45 cidades no país e exibe uma seleção inédita de 16 filmes estrangeiros de gêneros variados. Entre as produções está Uma Viagem Extraordinária, novo filme de Jean-Pierre Jeunet, diretor do sucesso mundial O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001).

    O cineasta integra o grupo de artistas franceses que estão no país para prestigiar o evento. Ele conversou com a reportagem do Cineclick na tarde desta quinta no Rio sobre o longa que adapta para os cinemas o livro infantil O Mundo Explicado por T.S. Spivet, de Reif Larsen (Editora Nova Fronteira).

    Na trama, T.S. Spivet (Kyle Catlett) é um garoto de 10 anos superdotado, apaixonado por ciência e pelo irmão gêmeo, Layton (Jakob Davies), seu oposto, mas complementar. Ambos vivem em uma fazenda com os pais (Helena Bonham Carter e Callum Keith Rennie) e a irmã mais velha (Niamh Wilson). Certo dia, em uma brincadeira com armas no celeiro, um acidente acontece. Layton morre e T.S. carrega consigo a culpa do ocorrido.

    Uma Viagem Extraordinária é uma coprodução França-Canadá, apesar da história ser americana. Jeunet revelou que poderia ter feito o filme com produção americana, mas preferiu descartar a possibilidade por não abrir mão de sua liberdade como artista. "A lei de autor da França me garante o corte final. Os americanos não reconhecem a montagem do diretor. Essa liberdade não existe em Hollywood, é muito rara. Se um diretor quer fazer um filme com o seu corte final, então ele tem que procurar outras parcerias".

    O diretor não poupou críticas a Hollywood e às exigências cada vez mais draconianas dos grandes estúdios. "Eles não querem arriscar, querem ter certeza de que terão público. Por isso apostam em adaptações, sequências, cinebiografias... Ficar cada vez mais difícil trabalhar com liberdade assim", avalia.

    Sobre o cinema brasileiro, Jean-Pierre diz conhecer pouco, mas citou Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, e Ilha das Flores, de Jorge Furtado. Disse ainda que o longa de Meirelles está entre seus 10 filmes preferidos. "Não falo isso porque estou no Brasil. Realmente gosto muito deste filme e representa bem o que eu penso sobre apresentar a realidade de uma forma mais interessante. Filmes assim jamais teriam sido feitos sem liberdade do diretor".

    Jean-Pierre Jeunet ainda ganha uma exposição em homenagem a ele no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, e no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro.

    O Festival Varilux de Cinema Francês segue até o dia 16 de abril e os organizadores esperam um público superior a cem mil pessoas este ano. A programação completa o espectador encontra no site oficial do evento: variluxcinefrances.com