Varilux 2014: Filme leva às telas lendário estilista Yves Saint Laurent

Diretor Jalil Lespert se concentra na vida amorosa e período mais criativo da carreira do costureiro francês

12/04/2014 08h00

Jalil Lespert

Jalil Lespert: "É sempre difícil quando se faz um filme biográfico"

Foto: Eliana Rodrigues

O Festival Varilux de Cinema Francês, em cartaz em 45 cidades do país, tem como um dos destaques de sua programação o longa Yves Saint Laurent, cinebiografia do estilista morto em 2008, aos 71 anos. O filme concentra-se nos primeiros 20 anos de carreira do artista da moda e é narrado pelo ponto de vista de Pierre Bergé, que viveu com o costureiro até o fim de sua vida.

"Eu tinha vontade de contar essa história de amor muito particular, mas que também tem dimensão universal. Me concentrei nesse período que corresponde à idade de ouro de sua produção e também de sua relação com Bergé", disse em entrevista o diretor Jalil Lespert, que veio ao Brasil divulgar seu longa.

Lespert afirmou ser apaixonado por histórias de pessoas que constroem uma carreira de sucesso a partir do zero. Por isso escolheu Yves Saint Laurent como tema de seu filme. Mas a reverência do cineasta pelos self made men não o impediu de expor o lado pouco glamoroso da vida do estilista, que era maníaco-depressivo e viciado em drogas. Bergé, companheiro de Laurent, não opôs resistência e deu total apoio ao projeto.

"Ele foi muito importante, nem tanto no processo de escrita, mas de filmagem mesmo, liberando locais, arquivos, vestidos. Não queria fazer um 'filme winkpédia', detalhista, não quis saber em que lado da cama dormia nem que pijama vestia. Nesse sentido, tive total liberdade a apoio", conta Lespert.

Yves Saint Laurent

Pierre Niney interpreta Yves Saint Laurent

Foto: Divulgação

Em cinebiografias o ator principal é o pilar de sustentação e o jovem Pierre Niney, que dá vida a Laurent nas telas, faz um trabalho que o cineasta parisiense fez questão de destacar: "É sempre difícil quando se faz um filme biográfico porque o ator tem de parecer com o personagem histórico. Tive a sorte de cruzar com Niney, que fez uma verdadeira performance".

Yves Saint Laurent teve bom desempenhos nas salas francesas, mesmo contando a história do famoso estilista pelo ponto de vista de sua relação amorosa homossexual. Enquanto Lespert rodava seu filme em 2013, a França vivia uma onda de manifestações contra o casamento gay.

"A França é um país conservador, católico, embora mais aberto nas grandes cidades. Houve uma escalada conservadora recente, a direita se cristalizou em torno da questão do casamento homossexual. Mas, apesar disso, o filme foi muito bem recebido, fez mais de 1,7 milhão de espectadores".

O Festival Varilux de Cinema Francês segue até o dia 16 de abril e os organizadores esperam um público superior a cem mil pessoas este ano. A programação completa o espectador encontra no site oficial do evento: www.variluxcinefrances.com.


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