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    Veneza começa com Clint, Sharon e pobres

    Por Da Redação
    31/08/2000




    majors

    Três Homens em Conflito e O Estranho que nós Amamos. É compreensível essa honraria a Clint, afinal foi aqui que ele despontou para a fama, atuando nos excelentes westerns de Sergio Leone.

    A entrega do Leão de Ouro de carreira foi ontem à noite, com a presença do elenco de Cowboys do Espaço: Donald Sutherland, James Garner e Tommy Lee Jones, que formam com Clint o improvável quarteto de astronautas que estão voltando do espaço. Mas no espaço pareciam estar todos eles durante a coletiva de imprensa. Está certo que os coleguinhas de profissão não conseguiram articular uma pergunta que prestasse, mas eles também não se esforçaram muito. Principalmente depois de três perguntas que questionavam se já não estava na hora de se aposentarem; se não tinham feito o filme só para mostrar que ainda estão por aí e se não eram velhos brincando de criança nesta aventura espacial.Coisas de festival!


    Banho de água fria


    Voltando ao prêmio a Clint, o grande momento foi a entrada de Sharon Stone no Palácio do Festival. Lindíssima, com um vestido dourado, ela subiu ao palco para entregar o Leão a Clint. Uma cerimônia tranqüila, depois do tumulto que Sharon causou logo em sua chegada, ontem à tarde.
    Ainda estávamos tentando curar a ressaca do jet leg, quando correu a notícia de que Sharon Stone era giá arrivata. Até aí tudo bem, o festival é isso: astros e estrelas que desembarcam no Aeroporto Internacional de Veneza e a imprensa que corre atrás em busca de um furo.


    Filmes da seleção

    Hoje foi o dia dos pobres e oprimidos aqui em Veneza. Pelo menos nas sessões de imprensa, que apresentam os filmes que serão vistos pelo público no dia seguinte. Teve o brasileiro O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas, de Paulo Caldas (co-diretor de O Baile Perfumado) e Marcelo Luna.

    Engajado, o filme faz um mergulho na periferia do Recife para trazer à tona o rap como movimento de resistência entre justiceiros e desajustados na dura realidade do país. Não causou grandes reações da platéia de jornalistas e convidados que lotaram a primeira exibição do filme, como parte da mostra Novos Territórios, recebendo palmas discretas e pouco animadoras. Com razão, é um trabalho difícil que fica no meio do caminho entre o engajamento e o simples retrato de uma vida (se é que se pode chamar assim) pouco conhecida até para nós, brasileiros. É um filme cru, seco, de dar nó na garganta, mas que se perde na indecisão entre discutir os problemas que apresenta ou apenas apresentá-los sem discuti-los.

    Outro filme na linha “olha como somos pobres” é Uttara, produção da Índia, dirigida por Buddhadeb Dasgupta. Um amigo sempre me diz para desconfiar de diretores com nomes que têm mais consoantes que vogais. Mas sou teimosa e lá fui para a sessão hindu. O filme dá até pena de tão fraquinho que é. Simplista, quase infantil, com diálogos dublados (sem som direto), o que acaba com de se acreditar naquilo que se está vendo, e uma história que mistura anões, dois amigos que lutam entre si para descarregar a tensão sexual (sim, é meio suspeito!) e uma garota ingênua que se casa com um deles. Tudo isso num vilarejo paupérrimo da Índia, abatida pela lepra, fome, castas e violência religiosa.

    O dia seguiu com Adanggaman, da Costa do Marfim, sobre tráfico de escravos no século 17, e I Cento Passi, de Marco Túlio Giordana, que retoma o tema da máfia italiana versus impunidade. Vamos ver o que nos reservam para amanhà.

    Acompanhe nos próximos dias, aqui no Cineclick, o dia a dia do festival e confira se Sharon Stone vai manter a liderança de top star, neste evento que vai contar com a presença de Cristina Ricci, Harrison Ford, Michelle Pfeiffer, entre outros.