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    Veneza: Irã, gays e Pollock

    Por Da Redação
    08/09/2000

    Apresentado quase no final do Festival de Veneza, O Círculo, do iraniano Jafar Panahi, tem mesmo a preferência da crítica. E segue firme como favorito ao Leão de Ouro. Outro que vem sendo muito comentado é o lentíssimo Plataforma, de Jia Zhangke. É um filme chinês, com três horas e dez minutos de duração (sim, isso mesmo!), sobre a inicial abertura econômica na China, no final dos anos 70. Nessa época eles descobrem a música ocidental e os prazeres dos produtos eletro-eletrônicos. Não é ruim não, mas em duas horas o diretor conseguiria o mesmo resultado. E ainda sobrava tempo para um café! Os críticos italianos tentam lobby para o engajado Os Cem Passos, de Marco Tulio Giordana. Deve levar algum prêmio humanitário ou especial, mas nada além disso.

    Apesar do favoritismo de iranianos e chineses, ontem aqui em Veneza causou sensação entre os coleguinhas de imprensa o ousado filme português O Fantasma. O novato diretor João Pedro Rodrigues mostra que, em Portugal, não se vive apenas de palavras e utopia. Seu filme, com nudez explícita, homossexualismo e sexo hard core, imaginem, é sobre um catador de lixo sado-masoquista. Oras, pois! Curioso que ninguém tinha dado bola para o filme até chegar o press kit, com fotos pra lá de apimentadas: um homem nu expondo a genitália nas águas de uma piscina, por exemplo. Pronto, foi o suficiente para causar o maior bululu na entrada do cinema. Tinha crítico saindo pelo ladrão. Ficou apenas na expectativa. O conjunto da obra deixava a desejar.

    O homossexualismo, tratado também em Before Night Falls, de Julian Schnabel, é tema também de Plata Quemada, fora de competição. Dirigido pelo argentino Marcelo Piñeyro, o mesmo de Tango Feroz e Cinzas do Paraíso, é sobre dois ladrões de banco gays. Cenas de homossexualismo foram vistas aqui no Lido ainda em A Virgem dos Sicários, de Barbet Schroeder, e no também português Noites - o filme mais horroroso que já vi na minha vida. É um povo feio, fedido (sim, dava até para sentir o cheiro!) com dentes estragados, que não faz nada da vida além de se drogar e ganhar dinheiro como pode, incluindo michê e o escambau. A diretora Claudia Tomaz é protagonista desta produção de 70 minutos, com meia dúzia de diálogos e intermináveis cenas contemplativas.

    Harris na direção

    O ator Ed Harris (O Show de Truman) se aventura pela direção com o biográfico Pollock. Ele mesmo interpreta o artista plástico Jackson Pollock, um dos mais conceituados pintores americanos que era um rebelde sem causa, mas com bom pincel. Uma vez urinou na lareira de sua patrocinadora Peggy Guggenheim, numa festa em seu chiquésimo e bem freqüentado apartamento Nova York. Harris está de fora de competição, na mostra Cinema do Presente, mas apresentou um trabalho bem cuidado e com uma direção esperta.

    Sonho e Visão

    Também fora de competição, na mostra Sonho e Visão, vale destacar Time and Tide, de Tsui Hark, que a gente conhece de A Colônia, com Jean-Claude Van Damme e Dennis Rodman. Ele voltou para Hong Kong para fazer este filme que é uma mistura de John Woo com Matrix. Não tem muita história não. É um show de efeitos visuais e sonoros. Parece que tudo está acontecendo dentro da sala de cinema. Todos os ruídos incendentais formam um espetáculo à parte. É tiroteio coreografado do início ao fim, com cenas congeladas, edição elétrica e ritmada. Hark confessa que usou apenas duas câmeras para fazer tudo isso, mas por estar trabalhando em Hong Kong. "Se fosse em Hollywood seriam umas cem câmeras", comenta. O divertido é ver uma gangue de Aracaju (o nosso Aracaju!), todos chineses e falando em espanhol.

    Ainda em Sonho e Visão, deu para dar muita risada com o hiper-trash Sud Side Story, da italiana Roberta Torres. É a velha história de Romeu e Julieta, mas com pequenas modificações. O cenário é a quente e pobre Palermo e os protagonistas são Julieto, um desempregado e dublê de cantor, e Roméia, uma nigeriana que ganha a vida como prostituta. É um escracho total, com algumas providenciais alfinetadas em questões italianas: racismo, problemas com imigrantes, intolerância e outros.

    Confira amanhã, os vencedores do 57º Festival de Cinema de Veneza aqui no Cineclick!