6 videogames que viraram filmes de sucesso

Games que viraram filmes!

07/10/2020 15h55

Pelas suas características narrativas (o jogo acontece num tempo-espaço a partir de uma ação), que, ao mesmo tempo, envolvem os elementos da linguagem cinematográfica (som, imagem, movimento, enredo, montagem, personagens, cenários), os games têm se aproximado cada vez mais do Cinema.

Se por um lado as inovações tecnológicas estão possibilitando aos designers criarem jogos com enredos e personagens complexos, aproximando-os da linguagem cinematográfica, na via contrária, a adaptação começará a se tornar cada vez mais natural e orgânica.

Porém, há um caminho já percorrido - e outro a percorrer - com erros e acertos nas adaptações de videogames para o cinema. Mas o futuro é promissor, à medida que ambas as indústrias navegam por águas próximas.

Nessa lista, separamos alguns dos maiores sucessos dessas adaptações:

Mortal Kombat (1995)

Finalmente parecia que os produtores de Hollywood estavam aprendendo com os erros do passado. Mortal Kombat, lançado em 1995, era um filme sobre um torneio de luta mortal, passado em outra dimensão, assim como o game.

Como nem tudo é perfeito, os fãs mais xiitas reclamam da falta de sangue no filme, já que o jogo é um dos mais sanguinolentos de todos os tempos (ou melhor, talvez o primeiro a chamar atenção para uma possível censura no quesito).

Seja como for, Mortal Kombat é até hoje enaltecido como uma das melhores adaptações do subgênero (sem dúvidas uma das mais divertidas e respeitosas aos personagens). Ponto para o diretor Paul W. S. Anderson, que viria a comandar também os filmes da franquia Resident Evil no cinema.

Mas nem tudo são flores, e visando seguir o rastro de sucesso do original, o estúdio não demorou a engatilhar a sequência Mortal Kombat- O Desafio, lançada em 1997.

Sem o brilho do original e investindo em sugar qualquer criatividade implantada no primeiro filme sem dar nada em troca, parte do elenco previu a furada em que ia se meter e pulou do barco antes de ele afundar.

"O Desafio" colocou o prego no caixão da franquia por muitos anos, mas hoje temos uma nova produção prevista para 2021.

Silent Hill (2006)

Tido como uma das melhores adaptações de um game já produzidas no cinema, Silent Hill, mais do que tudo, respeita sua contraparte.

O sucesso deve ser creditado aos envolvidos: o diretor Christophe Gans, o roteirista Roger Avery e o elenco encabeçado por Radha Mitchell, Laurie Holden e Sean Bean.

Na trama, uma mãe perde sua filha numa cidade pra lá de sinistra e embarca numa jornada ao lado de uma policial para recuperá-la. O maior pecado aqui é o uso excessivo de efeitos visuais de computadores, em detrimento a efeitos práticos, que seriam mais assustadores.

O filme foi lançado em 2006 e uma sequência, em 2012, intitulada Silent Hill - Revelação. Confeccionado para usar o mote do 3D, esta não obteve o mesmo sucesso.

Resident Evil (2002-2004-2007-2012-2017)

Podemos dizer que nenhuma outra adaptação de um game para o cinema foi tão bem-sucedida quanto Resident Evil.

É só pensarmos que esta é a franquia do subgênero mais longeva da história. No primeiro filme, Resident Evil - O Hóspede Maldito, lançado em 2002, o espírito do game original é respeitado, com a ação passada toda dentro de um ambiente contido – um grande laboratório no subsolo.

Dois anos depois, a continuação, Resident Evil 2 - Apocalipse, estreava trazendo personagens amados dos games para a trama, como Jill Valentine (Sienna Guillory). A ação também é aumentada, saindo de um único local para atingir as ruas de uma cidade inteira.

Resident Evil 3: A Extinção, terceira parte, foi lançado em 2007. Aqui, uma abordagem mais Mad Max foi dada à franquia, centrando a ação no deserto e dando tons mais amarelados para as paletas de cores na fotografia – as cenas são quase todas durante o dia (ao contrário do anterior, todo passado à noite em tons azulados).

Em 2010 chegava Resident Evil 4: Recomeço, o primeiro criado em 3D. A primeira metade, passada numa prisão abandonada, é a melhor parte. Os novos filmes continuam a ser reflexo dos novos games, de certa forma, apresentando velhos e novos personagens conhecidos dos fãs. Resident Evil 5: Retribuição é uma miscelânea de tudo que já foi apresentado na franquia, recapitulando inclusive o primeiro episódio, para fechar tudo num círculo perfeito.

Anunciado como o último longa, Resident Evil: O Capítulo Final, lançado em 2017, deixa portas abertas.

Tomb Raider (2001-2003-2018)

Tomb Raider é um marco da geração das primeiras plataformas 3D, uma vez que a personagem podia caminhar em qualquer direção - algo inédito até então.

Além disso, Tomb Raider era representatividade feminina pura, numa época em que não se discutia o tema como hoje.

Criada como uma mistura de Indiana Jones, 007 e Batman, Lara Croft: Tomb Raider, lançado em 2001, foi também o primeiro filme para essa nova geração do gênero e uma intérprete à altura foi convocada: Angelina Jolie.

Na época, o filme fez sucesso e se tornou a aventura recordista de bilheteria protagonizada por uma mulher.

Dois anos depois, Tomb Raider ganhava sua sequência com Lara Croft Tomb Raider: A Origem Da Vida. Jolie estava de volta, mas o diretor Jan De Bont mostrava desgaste após os mal-sucedidos Velocidade Máxima 2 (1997) e A Casa Amaldiçoada (1999).

Entre as escolhas estranhas do cineasta para o projeto, as cenas de ação são todas criadas em câmera lenta e não empolgam. Depois deste, Jolie pulou fora e a franquia foi interrompida momentaneamente.

Quinze anos após a última aventura de Angelina Jolie na pele da arqueóloga exploradora Lara Croft, uma luz é acesa no fim do túnel. A Paramount e Jolie ficam para trás para darem lugar à Warner e Alicia Vikander.

Tomb Raider - A Origem (2018) é uma investida mais realista e humana na mitologia da série, recontando o início da jornada da bilionária britânica.

Assassin's Creed (2017)

Em 2007, a empresa Ubisoft, responsável por grandes franquias no mercado de jogos eletrônicos, lançava aquela que seria sua maior fonte de renda e, também, o seu maior representante frente à concorrência: o aclamado "Assassin's Creed".

Com uma história original e mecânicas inovadoras, o jogo conquistou uma legião de fãs e rendeu milhões para os cofres da empresa francesa.

Com o passar dos anos, os jogos foram aumentando e aprimorando a mitologia da série e muitos derivados começaram a surgir, como quadrinhos, desenhos animados e até livros, que adaptavam as histórias vistas nos jogos.

Não foi surpresa quando uma adaptação cinematográfica surgiu, eventualmente. "Assassin's Creed", dirigido por Justin Kurzel, é uma empreitada corajosa da Ubisoft.

Apesar de não ser um clássico do cinema moderno, estamos diante de um filme que, além de divertir, é fiel ao seu material de origem e traz a essência da saga dos assassinos para as telas, coisa que muitas adaptações não conseguem entregar. Os fãs podem respirar aliviados.

Sonic - O Filme (2020)

Referências musicais e visuais a jogo antigos? Estão lá. Um companheiro humano? Está lá também. O filme do Sonic traz tudo isso e resulta em uma aventura fofa, leve e divertida.

Além de tudo isso, é uma adaptação decente e respeitosa de uma série clássica e querida do universo dos videogames - algo que, como bem sabemos, é bem raro de se ver, especialmente em Hollywood.

Felizmente e finalmente, fica a impressão de que o filme do Sonic consolida uma cartilha básica sobre como adaptar games para a telona com sucesso e agradar fãs antigos sem deixar de lado um novo público.

Quer conhecer outras adaptações para o cinema? Não perca nosso texto especial sobre o tema: "Adaptações para o cinema: livros, quadrinhos, videogames e animações"!


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