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    Woody Allen: O brilhante diretor cancelado

    Em seu aniversário, discutimos se o legado da sua obra sobreviveu após uma série de alegações de abuso sexual
    Por Da Redação
    30/11/2021 - Atualizado há cerca de 2 meses

    Como fãs de cultura pop, sabemos que uma das coisas mais difíceis de se fazer é separar o artista da obra. Hoje, por exemplo, é o dia do aniversário de 86 anos de Woody Allen

    Mas ao invés de discutirmos o impacto de sua obra, ou revisitarmos a sua filmografia quase sexagenária, aqui, vamos utilizá-lo para guiar uma discussão: ele está ou não cancelado? 

    Para muitos, a resposta é bem óbvia. Mas há outro lado que ainda questiona o fato dele ainda estar ativo em Hollywood — em setembro deste ano, foi lançado o trailer de O Festival do Amor, seu mais novo filme —, ou contar com figuras respeitadas da indústria, como Scarlett Johansson ou Diane Keaton, ao seu lado. 

    Tornando o debate ainda mais confuso, mesmo com a exibição de uma série documental da HBO, intitulada Allen v. Farrow, que revisita as acusações de abuso sexual contra o Woody, ele ainda anunciou um novo filme. 

    Isso se configura em um cancelamento ativo? Temos como nos desligar afetivamente de obras memoráveis que nos encantaram durante décadas e mais décadas? E como fica o seu legado, muito amado e premiado, após tudo isso? 

    Hollywood em alerta?

    Nos últimos anos, figuras proeminentes de Hollywood perderam seu nome e status após inúmeras acusações de abuso e assédio sexual graças ao impacto do movimento #MeToo. No topo da lista, estão o produtor Harvey Weinstein e o comediante Bill Cosby. Ambos julgados e condenados, muito provavelmente nunca mais ocuparão algum cargo na indústria. Mas a regra não parece ser a mesma para todos. 

    O ator Casey Affleck foi processado por duas mulheres que o acusaram de avanços sexuais inapropriados. Ele logo se desculpou, ganhou um Oscar (por Manchester à Beira-Mar — enquanto as acusações vieram ao conhecimento público, diga-se de passagem), e continuou a fazer filmes. Já o comediante Louis C.K., entre 2018 a 2019, também sofreu represálias por conduta sexual indevida, mas foi indicado ao Grammy deste ano. 

    A diferença entre Allen e os quatro nomes supracitados é ainda mais delicada de se discutir porque as acusações contra o diretor não são inéditas. 

    A acusação de Dylan Farrow e por que Woody nunca foi julgado

    Woody Allen e Mia Farrow estiveram casados entre 1980 a 1992Reprodução

    Foi em 1922 que a atriz Mia Farrow, de O Bebê de Rosemary, casada com o diretor durante os anos 1980, acusou o diretor de ter supostamente abusado sexualmente sua filha, Dylan Farrow, quanto ela tinha somente sete anos. Mas basicamente nada aconteceu, seja judicial ou publicamente. 

    Sabendo que a acusação de Farrow aconteceu durante a disputa judicial contra a atriz, com os dois se divorciando na época, Woody negou as alegações inúmeras vezes. 

    Piorando ainda mais a situação do caso, o divórcio basicamente aconteceu após Farrow ter descoberto que seu marido estava tendo um caso com outra filha adotiva sua, Soon-Yi Previn.

    Seis meses após o início das investigações, a Polícia do Estado de Connecticut encaminhou Dylan para a Clínica de Abuso Sexual Infantil do Hospital Yale, em New Haven, que concluiu que Allen não abusou sexualmente da menina, e presumiu que a alegação foi provavelmente treinada ou influenciada pela atriz. 

    O Departamento de Serviços Sociais de Nova York também afirmou não ter encontrado "nenhuma evidência confiável" para apoiar a alegação da mãe de Farrow.

    As acusações contra o diretor, então, foram retiradas e o caso nunca foi à tribunal. Por isso, legalmente, o vencedor do Oscar foi inocentado. Contudo, ele ainda continuava sendo suspeito do caso.

    Depois da acusação

    Embora a acusação não tenha sido levada adiante, no mesmo período, Allen tornou o seu relacionamento com a ex-filha adotiva, Soon-Yi Previn, público — com quem se casou tempo depois e continua casado até hoje. 

    Já em 2014, agora mais velha, Dylan Farrow foi a público e emitiu uma carta aberta reafirmando as acusações contra o diretor e rebatou as insinuações de que o caso teria sido plantado contra ele, como forma de vingança, já que sua mãe, Mia, estava travando uma disputa pela custódia dos filhos. 

    Com a onda do #MeToo e outros movimentos contra abusos e assédios em Hollywood, Dylan, novamente, voltou a se pronunciar contra o diretor. Mas, desta vez, a indústria — aparentemente — começou a prestar atenção. 

    Seus filmes não chamam mais atenção e têm dificuldade de ir a circuito. Mas isso apaga todos os bons filmes do diretor? Não, não apagam. Envelhecemos com os filmes dele, que, de certa forma, nos moldaram como cinéfilos. Não podemos alterar ou apagar o passado, mas podemos tomar decisões diferentes daqui para frente, como não acompanhar mais seus trabalhos. 

    Mia, Woody e os filhos adotados, Dylan e RonanReprodução

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