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    Woody Allen fala sobre influência e legado de Bergman

    Allen se identificava com Bergman pessoalmente: "ele odiava fim de semana, feriado e dias ensolarados"
    Por Da Redação
    04/02/2011

    O diretor Woody Allen (Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos) concedeu uma entrevista ao Hollywood Reporter para falar sobre a sua relação com o falecido cineasta Ingmar Bergman (Fanny e Alexander), que ganhará uma retrospectiva na 61ª edição do Festival de Cinema de Berlim.

    Allen considera a retrospectiva uma boa oportunidade para relembrar o legado do mestre sueco, que continua composta por ótimos filmes. "A geração mais nova é basicamente ignorante quanto ao cinema. Não só quanto a Bergman, mas a Antonioni (Zabriskie Point), Truffaut (De Repente Num Domingo), Kurosawa (Rapsódia em Agosto), Buñuel (O Discreto Charme da Burguesia). Filmes não fazem parte de sua cultura básica [...], muitos deles nem conhecem Cidadão Kane", afirmou o cineasta. "O Sétimo Selo era um ótimo filme e continua ótimo agora."

    O cineasta relembra o primeiro filme que viu de Bergman: Monika e o Desejo. "A vizinhança estava falando sobre uma cena de nudez. [...] Eu assisti ao filme e foi muito interessante - fora a cena muito amena de nudez. [...] Anos depois, já havia uma pequena comoção em Nova York para filmes de Bergman como Morangos Silvestres, O Rosto e O Sétimo Selo. [...] Eles foram sensacionais." Para Allen, o que chamava atenção em Bergman era a empatia com os temas, sua técnicas de filmagem e sua abordagem poética. "Você é hipnotizado pelos movimentos da câmera [...], é como assistir poesia em movimento."

    Bergman exerceu grande influência sobre o cinema de Allen, segundo a crítica. Sobre isso, ele comenta: "É o que acontece em todas formas de arte, existem pessoas que você adora e, quando você inicia sua produção, tem uma tendência a ser influenciado." Mas ele diz que, da mesma forma, Bergman também foi influenciado anteriormente por Victor Sjostrom (The Phantom Chariot). Ele ainda falou sobre a estranha influência para um comediante: "Se você faz filmes cômicos e é influenciado pelos irmãos Marx (Diabo a Quatro) ou Charles Chaplin (O Grande Ditador) ou Preston Sturges (Mulher de Verdade), isso é completamente racional. Se você é influenciado por Ingmar Bergman, que está entre os cineastas mais dramáticos e pesados, isso produz um resultado final incomum."

    Ele relembra quando conheceu seu mestre nos anos 1970. "Eu estava filmando Manhattan quando o conheci, a seu pedido. Liv Ullmann (Ponto de Mutação) era uma amiga em comum. Ela disse que Bergman estava na cidade e queria jantar comigo. Fomos só eu, Liv, Ingmar e sua esposa em uma suíte de hotel. Tivemos um longo jantar e conversamos a noite toda." Ele comentou que ficou nervoso, mas Bergman se mostrou uma pessoa normal. "Ele era como todo diretor ansioso que conheço: estava preocupado com seu material, com lucro, com edição."

    Allen diz que sentiu que "copiou" Bergman no aspecto de ser muito prolífico. "Ele sentia que não queria fazer grandes produções - ele só queria trabalhar. Não se interessava nas críticas feitas aos filmes. [...] Eu me sinto da mesma forma. Só queria continuar fazendo-os." Por fim, o nova-iorquino identificava-se com o diretor em suas idiossincrasias. "Ele não gostava de fim de semana, de férias, de dias ensolarados. São as mesmas particularidades que eu tinha. [...] Fazer cinema é como trabalhar em seu lazer. E era dessa forma que ele se sentia também."

    Ingmar Bergman fez mais de 60 filmes, incluindo curtas e produções para a televisão. O Festival de Berlim pretende exibir todos eles entre 10 e 20 de fevereiro.